O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (2), durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro” no Rio de Janeiro. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também incluiu mandados de prisão, busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa da investigação busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro supostamente praticada por integrantes da nova cúpula do jogo do bicho e verificar possíveis conexões do esquema com agentes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Prisão ocorreu na Barra da Tijuca
Márcio Poncio foi localizado e preso em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Conhecido por liderar a Igreja da Nuvem e pela forte presença nas redes sociais, ele também é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da banda UM44K.
De acordo com as investigações, Poncio é suspeito de manter ligação com uma organização criminosa que teria como uma de suas principais lideranças o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. As autoridades apuram a existência de movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis mecanismos de ocultação de patrimônio.
Operação investiga lavagem de dinheiro
A quinta fase da Operação Unha e Carne é resultado do aprofundamento de investigações iniciadas em etapas anteriores. Conforme a Polícia Federal, foram identificadas planilhas com registros de supostos pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras que podem indicar a atuação de uma rede de lavagem de dinheiro.
Os investigadores também apuram a eventual ramificação do esquema junto a agentes públicos do Estado do Rio de Janeiro. A investigação integra as medidas determinadas no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que prevê o fortalecimento das apurações sobre organizações criminosas e suas possíveis conexões com representantes do poder público.
Defesas negam irregularidades
Após a prisão, o advogado de Márcio Poncio, Leandro Mendonça, informou que a defesa ainda não teve acesso aos autos do processo e, por isso, afirmou não conhecer os fundamentos que motivaram a decretação da prisão preventiva.
Em nota, o advogado declarou que o pastor permanece custodiado na Superintendência da Polícia Federal e que a equipe jurídica aguarda acesso à investigação para apresentar sua manifestação.
A defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho também negou qualquer prática ilícita, afirmando que rejeita a acusação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos e que confia no devido processo legal. Já o ex-deputado Marco Antônio Cabral, alvo de mandado de busca e apreensão, declarou que não participou de qualquer atividade criminosa e informou ter colaborado com as autoridades durante o cumprimento da medida.
Investigação segue em andamento
A Polícia Federal informou que as diligências têm como objetivo reunir novas provas sobre a suposta estrutura financeira da organização investigada e identificar possíveis beneficiários dos recursos movimentados pelo grupo.
Até o momento, as investigações permanecem em andamento e não há decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos investigados. Eles terão assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo judicial.







