Ranking dos maiores cachês do São João da Bahia é liderado por sertanejos e reacende debate sobre valorização dos artistas tradicionais do forró
Os cachês milionários pagos por prefeituras da Bahia para o São João 2026 voltaram a gerar debate. Dados do portal de transparência do Ministério Público da Bahia (MP-BA) mostram que os artistas mais bem pagos das festas juninas deste ano não são representantes do forró tradicional, ritmo historicamente associado à celebração nordestina.
O levantamento, que reúne contratos de 137 prefeituras baianas, aponta cachês que chegam a R$ 1,1 milhão. Enquanto isso, artistas consagrados do forró recebem valores significativamente menores, cenário que provocou críticas de músicos, fãs e representantes da cultura nordestina.
Os 10 maiores cachês do São João 2026 na Bahia
Entre os artistas mais bem pagos das festas juninas baianas, predominam nomes do sertanejo e de outros gêneros populares no mercado de shows.
- Gusttavo Lima — R$ 1,1 milhão
- Wesley Safadão — R$ 1 milhão
- Luan Santana — R$ 750 mil
- Victor & Leo — R$ 750 mil
- Nattan — R$ 700 mil
- Ana Castela — R$ 700 mil
- Zé Neto & Cristiano — R$ 670 mil
- Maiara & Maraisa — R$ 654 mil
- Leonardo — R$ 650 mil
- Bruno & Marrone — R$ 650 mil
Dos nomes presentes no ranking, apenas Wesley Safadão e Nattan têm forte ligação com o Nordeste e com vertentes mais modernas do forró. Ainda assim, os valores recebidos por esses artistas superam em mais de quatro vezes os cachês pagos a ícones do gênero, como Alceu Valença, Elba Ramalho e Alcymar Monteiro.
Por que não há artistas de forró tradicional entre os maiores cachês?
A principal explicação está relacionada à força comercial dos artistas que lideram o mercado nacional de shows. Cantores sertanejos e nomes do chamado forró eletrônico costumam atrair grandes públicos, movimentar patrocinadores e ter alta demanda entre os municípios.
Por outro lado, artistas ligados ao forró tradicional mantêm cachês menores, mesmo sendo considerados símbolos culturais do São João. Essa diferença tem alimentado discussões sobre a preservação das raízes da festa e o espaço destinado aos representantes históricos do gênero.
Flávio José critica disparidade nos cachês
A discussão ganhou força após Flávio José anunciar o cancelamento de cerca de 15 apresentações na Bahia.
Segundo o artista, algumas prefeituras não aceitaram o valor solicitado para os shows deste ano. O cantor cobra R$ 350 mil por apresentação, cerca de 40% acima do valor praticado em 2025.
A situação gerou forte repercussão nas redes sociais, onde internautas questionaram por que artistas de outros estilos recebem cachês muito superiores sem enfrentar o mesmo nível de contestação.
Forrozeiros saem em defesa da cultura nordestina
Outro nome que se manifestou foi Santanna. O artista afirmou que os representantes do forró vêm perdendo espaço nas programações juninas ao longo dos anos.
Já Flávio Leandro criticou a desigualdade nos cachês pagos aos músicos regionais e chamou atenção para a situação de artistas locais que recebem valores considerados muito baixos.
De acordo com levantamento citado pelo UOL, existem mais de 200 contratos com cachês inferiores a R$ 1 mil para apresentações de artistas locais em cidades baianas. Em alguns casos, os pagamentos chegam a apenas R$ 200.
O que diz o Ministério Público da Bahia?
O Ministério Público do Estado da Bahia afirma que monitora os gastos das festas juninas desde 2022 por meio de um portal de transparência.
Segundo o órgão, os cachês médios pagos por municípios saltaram de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nos últimos quatro anos.
Para 2026, a recomendação foi que os valores contratados seguissem como referência os cachês de 2025 corrigidos pela inflação. O MP-BA informa que a medida já resultou em uma economia de R$ 18,7 milhões e na revisão de mais de 500 contratos em 214 municípios baianos.
O órgão também notificou mais de cem cidades por pagamentos considerados acima dos parâmetros recomendados, incluindo contratos envolvendo Flávio José. Segundo o Ministério Público, fatores como notoriedade, alcance de público e projeção nacional são levados em consideração na análise dos cachês.







