Especialista alerta que restrições alimentares nem sempre funcionam e podem até atrapalhar o tratamento
Quem convive com Enxaqueca costuma ouvir listas enormes de alimentos “proibidos”. Chocolate, café, vinho e queijo aparecem frequentemente entre os supostos vilões das crises. Mas, segundo especialistas, a relação entre alimentação e enxaqueca não funciona da mesma forma para todo mundo.
O médico José Marcos, especialista em dor e anestesiologia, explica que não existe uma dieta universal para pacientes com enxaqueca. Cada organismo reage de maneira diferente aos alimentos.
Existem alimentos que pioram a enxaqueca?
De acordo com o especialista, alguns produtos possuem maior associação com crises de Enxaqueca, mas isso varia de pessoa para pessoa.
Entre os gatilhos mais conhecidos estão:
- álcool, principalmente vinho tinto;
- excesso de cafeína;
- abstinência de café;
- queijos envelhecidos;
- carnes processadas;
- adoçantes artificiais, como aspartame.
Esses alimentos contêm substâncias químicas capazes de estimular mecanismos ligados à dor no cérebro.
Entenda por que certos alimentos podem desencadear crises
Segundo a ciência, compostos como tiramina, nitritos e feniletilamina podem provocar alterações nos vasos sanguíneos e ativar regiões cerebrais relacionadas à dor.
O médico explica que a tiramina, presente principalmente em alimentos envelhecidos e processados, pode aumentar a sensibilidade dos neurônios ligados à enxaqueca.
Mesmo assim, ele reforça que muitas associações ainda apresentam evidências científicas limitadas ou contraditórias.
Chocolate nem sempre é o culpado
Um dos exemplos mais comuns envolve o chocolate.
Muitas pessoas acreditam que ele provoca a crise, mas especialistas apontam que, em alguns casos, a vontade de comer doce já faz parte dos primeiros sintomas da própria Enxaqueca.
Ou seja: o alimento pode não ser a causa da dor, mas um sinal de que ela já estava começando.
Dietas restritivas podem não funcionar
Atualmente, médicos evitam recomendar dietas de exclusão severas sem necessidade comprovada.
Em vez disso, a orientação mais indicada é manter um diário alimentar para identificar padrões individuais e descobrir quais alimentos realmente funcionam como gatilho para cada paciente.
“A evidência atual não apoia dietas universais com longas listas de restrições”, destaca o especialista.
O que pode ajudar a controlar a enxaqueca
Além da observação alimentar, algumas estratégias apresentam resultados positivos na redução das crises:
- manter boa hidratação;
- evitar longos períodos em jejum;
- ter rotina regular de sono;
- controlar o estresse;
- seguir acompanhamento médico.
Alguns estudos também apontam benefícios de abordagens como a dieta DASH e a dieta cetogênica em determinados casos.
No Brasil, milhões de pessoas convivem com Enxaqueca, condição considerada uma das principais causas de incapacidade no mundo.







