Novas projeções climáticas aumentaram a preocupação de cientistas com a possível formação de um El Niño forte nos próximos meses — e até mesmo de um possível “super El Niño”.
O alerta ganhou força após atualizações divulgadas por centros meteorológicos internacionais em maio, indicando um aquecimento cada vez mais intenso nas águas do Oceano Pacífico.
Apesar disso, especialistas reforçam que ainda existe incerteza sobre a intensidade final do fenômeno.
NOAA eleva alerta para formação do El Niño
O NOAA elevou recentemente o status climático para “alerta de El Niño”.
Segundo o órgão americano, há 82% de chance de o fenôeno se formar entre maio e julho de 2026 e 96% de probabilidade de persistir até o início de 2027.
Os novos modelos meteorológicos também passaram a indicar um cenário de aquecimento mais intenso no Pacífico tropical, aumentando o temor de um evento climático de grande magnitude.
O que é um “super El Niño”?
O termo “super El Niño” é usado informalmente para descrever episódios extremamente fortes do fenômeno climático, como os registrados em 1997-98 e 2015-16.
O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal, alterando padrões climáticos em várias partes do planeta.
Meteorologistas monitoram especialmente a chamada região Niño 3.4, área usada internacionalmente para medir a intensidade do aquecimento.
Quando as temperaturas ficam mais de 1,5 °C acima da média por vários meses, o evento costuma ser classificado como forte.
Cientistas pedem cautela nas previsões
Apesar dos alertas recentes, especialistas afirmam que ainda é cedo para cravar a chegada de um super El Niño.
Pesquisadores explicam que previsões feitas entre março e maio enfrentam a chamada “barreira de previsibilidade”, fenômeno que aumenta a margem de erro dos modelos climáticos.
Segundo o Cemaden, o cenário mais provável neste momento aponta para um El Niño entre moderado e forte.
Como o El Niño pode afetar o Brasil?
Historicamente, o El Niño provoca mudanças importantes no clima brasileiro.
Os impactos mais comuns incluem:
- aumento das chuvas no Sul;
- seca mais intensa no Norte e Nordeste;
- ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste;
- maior risco de incêndios florestais;
- enchentes e deslizamentos em algumas regiões.
Especialistas afirmam que os efeitos devem começar a aparecer com mais força a partir da primavera de 2026.
Evento pode elevar temperatura global
Além dos impactos regionais, cientistas alertam que um El Niño muito forte pode aumentar ainda mais a temperatura média global.
Estimativas indicam que o fenôeno poderia adicionar cerca de 0,2 °C ao aquecimento global temporariamente, elevando o risco de novos recordes de calor em 2027.
Após o último grande evento de El Niño, entre 2023 e 2024, o planeta registrou um dos períodos mais quentes da história recente.







