Falta de provas e laudo inconclusivo podem fazer caso do cachorro Orelha terminar sem punições em Santa Catarina
O caso do cão Orelha, que gerou comoção nacional e repercussão internacional no início de 2026, pode terminar sem responsabilização judicial. O Ministério Público de Santa Catarina solicitou oficialmente o arquivamento das investigações sobre a morte do animal comunitário que vivia na Praia Brava, em Florianópolis.
O pedido foi enviado à Justiça na última sexta-feira (8) em um relatório de 170 páginas encaminhado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância.
Segundo o MP, as investigações não reuniram provas suficientes para sustentar uma denúncia formal pelo crime ocorrido em 4 de janeiro de 2026.
Falta de imagens enfraqueceu investigação
Durante as apurações, a Polícia Civil de Santa Catarina trabalhou inicialmente com a hipótese de espancamento e chegou a indiciar um adolescente. Porém, conforme o Ministério Público, o aprofundamento das investigações não encontrou evidências materiais concretas contra o suspeito.
Um dos principais problemas apontados foi a ausência de imagens do crime. De acordo com a polícia, não existem registros de câmeras de segurança nem vídeos feitos por testemunhas mostrando o momento das agressões contra o cachorro.
Sem provas visuais ou flagrantes, a acusação perdeu força ao longo do processo.
Laudo pericial não esclareceu morte de Orelha
Outro ponto decisivo para o pedido de arquivamento foi o resultado inconclusivo da perícia realizada pela Polícia Científica de Santa Catarina.
O corpo de Orelha chegou a ser exumado para novos exames, mas os peritos não conseguiram determinar exatamente o que causou a morte do animal.
O laudo descartou fraturas ósseas, embora tenha destacado que isso não elimina totalmente a possibilidade de traumatismo craniano ou lesões internas.
Caso teve reviravoltas desde o início
O processo envolvendo o caso Orelha foi marcado por polêmicas e mudanças de rumo desde os primeiros meses do ano. Em abril, o próprio Ministério Público já havia solicitado novas diligências após identificar falhas no inquérito policial.
Agora, a decisão final está nas mãos da Justiça de Santa Catarina. A magistrada responsável irá definir se o caso será oficialmente encerrado ou se novas medidas poderão ser adotadas.
A morte do cachorro Orelha mobilizou ativistas, moradores e internautas de várias partes do país, aumentando o debate sobre maus-tratos contra animais e a dificuldade de responsabilização em crimes sem provas conclusivas.
Violência e maus-tratos contra animais são crimes previstos em lei. Denúncias podem ser feitas pelo número 190.







