A turnê Loop, de Ed Sheeran, virou alvo de uma polêmica após a retirada de Macklemore da programação. O rapper deixou os shows depois de fazer manifestações em apoio à Palestina durante apresentações de abertura.
A decisão provocou uma reação entre outros convidados. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram que também deixariam a turnê, em solidariedade ao artista.
Sheeran se pronunciou na terça-feira (15) e afirmou que o desligamento foi uma decisão da promotora dos shows. Segundo o cantor, ele tentou negociar a permanência de Macklemore, mas não conseguiu reverter a situação.
Por que Macklemore foi retirado da turnê de Ed Sheeran?
A controvérsia começou em 4 de setembro, durante um show no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Na abertura da apresentação, Macklemore disse que um dos motivos para participar da turnê era poder defender a causa palestina diante de grandes plateias.
Na ocasião, o rapper declarou “Palestina Livre” e cantou “Hind’s Hall”, música que critica as ações do Exército de Israel em Gaza. A apresentação também exibiu imagens da destruição no território.
Depois do show, a organização StopAntisemitism acusou Macklemore de usar o palco para promover propaganda contra Israel.
Na apresentação seguinte, o artista respondeu às críticas e se dirigiu ao público judeu. Ele afirmou que suas manifestações contra o governo israelense e suas ações não eram ataques ao povo judeu. Também disse que queria demonstrar apoio aos palestinos de Gaza e da Cisjordânia.
Rapper e organização apresentaram versões sobre a saída
Em um comunicado no Instagram, Macklemore contou que passou uma semana em conversas difíceis com Ed Sheeran. Segundo ele, o diálogo terminou em um “desacordo fundamental” e em sua retirada da turnê.
Já a Messina Touring Group, responsável pela promoção dos shows, afirmou que alguns locais haviam proibido apresentações do rapper. De acordo com a empresa, a situação colocava outras datas sob risco de cancelamento.
Macklemore disse compreender a posição delicada de Sheeran, mas cobrou um posicionamento público do cantor sobre a Palestina. Também afirmou que defender uma causa pode custar contratos, patrocínios e oportunidades profissionais.
O rapper rejeitou as acusações de antissemitismo e argumentou que críticas a Israel não devem ser confundidas com hostilidade contra pessoas judias.
Quem saiu da turnê em apoio a Macklemore?
Após o desligamento, quatro atrações anunciaram que não seguiriam com suas participações:
- Finneas: deixou as seis apresentações previstas na América do Sul e afirmou que artistas não devem ser silenciados por defender pessoas oprimidas.
- Aaron Rowe: relacionou sua decisão à história da Irlanda e criticou o uso do poder econômico para impedir manifestações em apoio aos palestinos.
- Lukas Graham: anunciou a saída das datas restantes e defendeu a liberdade de falar sobre guerras e a morte de civis.
- Beoga: a banda, que participaria dos shows de Sheeran, também se retirou e denunciou o que considera uma tentativa de silenciar artistas.
Em seu comunicado, Beoga levantou a possibilidade de Robert Kraft, dono do Gillette Stadium e do New England Patriots, ter pressionado outros locais a barrar Macklemore. Essa alegação foi apresentada pela banda, sem confirmação no material divulgado.
O que Ed Sheeran disse sobre a polêmica?
Ao se manifestar, Ed Sheeran negou ter decidido pela retirada de Macklemore e afirmou que tentou encontrar uma solução para mantê-lo na programação.
“A decisão de tirar o Macklemore da turnê foi do promotor, não minha”, declarou.
Segundo Sheeran, ele foi informado de que a resistência dos responsáveis pelos locais estava ligada à maneira como parte da mensagem havia sido transmitida pelo rapper.
O cantor também disse que precisava considerar os fãs que já haviam se organizado para os shows e os profissionais que dependem da turnê para trabalhar.
Sobre Israel e Palestina, Sheeran lamentou o sofrimento provocado pelo conflito. Ao responder à cobrança por um posicionamento, afirmou que prefere usar sua música e sua visibilidade para aproximar pessoas e manter o diálogo aberto.
“Não sou conivente”, escreveu. O artista acrescentou que não expor publicamente suas opiniões não significa falta de preocupação ou de apoio a causas.
Sheeran encerrou o pronunciamento dizendo que passou a semana tentando negociar uma saída para o impasse, mas não conseguiu chegar a um acordo.







