Filme da A24 ultrapassa US$ 100 milhões em bilheteria e leva para as telonas um dos maiores fenômenos do terror online
O terror psicológico Backrooms se tornou um dos maiores sucessos inesperados de 2026. Produzido pela A24, o longa já ultrapassou a marca de US$ 100 milhões em bilheteria mundial, um resultado impressionante para uma produção que custou cerca de US$ 10 milhões.
Mas o que chama ainda mais atenção é a origem da história: o filme nasceu de uma lenda urbana da internet que viralizou em fóruns, redes sociais e vídeos do YouTube, conquistando milhões de fãs ao redor do mundo.
O que são os Backrooms?
Os chamados “Backrooms” surgiram como uma creepypasta — histórias de terror compartilhadas na internet — baseada na ideia de “espaços liminares”.
Esses ambientes são locais de transição aparentemente comuns, como corredores vazios, escritórios abandonados, salas sem janelas e áreas comerciais desertas. Embora pareçam familiares, eles provocam uma sensação constante de desconforto e estranheza.
A imagem que deu origem ao fenômeno mostrava um enorme escritório vazio, iluminado por luzes fluorescentes e cercado por paredes amareladas. A partir daí, usuários passaram a expandir a mitologia, criando teorias, criaturas e diferentes níveis desse labirinto infinito.
Como a lenda virou um sucesso na internet?
O conceito ganhou enorme popularidade em plataformas como Reddit, TikTok e YouTube, acumulando bilhões de visualizações.
A grande explosão aconteceu quando Kane Parsons, então com apenas 16 anos, publicou uma série de vídeos no YouTube simulando gravações encontradas dentro dos Backrooms.
Utilizando computação gráfica e estética inspirada em fitas VHS dos anos 1990, Parsons transformou a lenda em uma narrativa visual que rapidamente conquistou o público e chamou a atenção da indústria cinematográfica.
De vídeos caseiros para Hollywood
Agora aos 20 anos, Kane Parsons dirigiu a adaptação cinematográfica produzida pela A24.
Para recriar o ambiente claustrofóbico dos vídeos originais, a produção construiu um cenário físico de aproximadamente 2,8 mil metros quadrados, reproduzindo os corredores amarelados, a iluminação artificial e o visual inquietante que tornaram os Backrooms famosos.
O longa mantém elementos do chamado “terror analógico”, subgênero que utiliza imagens granuladas, câmeras antigas e estética retrô para aumentar a sensação de realismo.
Elenco e história exploram traumas e saúde mental
O roteiro, assinado por Will Soodik, usa o misterioso labirinto como pano de fundo para discutir questões ligadas à saúde mental, isolamento e traumas emocionais.
No elenco, Chiwetel Ejiofor interpreta Clark, um homem que encontra uma passagem para os Backrooms durante uma crise pessoal. Já Renate Reinsve vive Mary, terapeuta que tenta ajudá-lo a compreender os impactos psicológicos dessa experiência.
Por que os Backrooms assustam tanto?
Especialistas apontam que o medo provocado pelos Backrooms está relacionado ao conceito de “espaços liminares” e ao chamado “efeito de porta”, uma reação psicológica que ocorre quando o cérebro perde referências claras de localização.
Ambientes repetitivos, silenciosos e aparentemente vazios geram sensação de desorientação e vulnerabilidade, criando um tipo de terror mais psicológico do que físico.
Essa mistura de nostalgia, solidão e estranheza ajudou a transformar os Backrooms em um dos maiores fenômenos da cultura digital dos últimos anos.
Sucesso pode mudar Hollywood
O desempenho de Backrooms reforça uma tendência crescente na indústria do entretenimento: a busca por histórias nascidas na internet.
Assim como aconteceu com outras produções inspiradas em fenômenos digitais, o sucesso do filme mostra que criadores independentes e comunidades online estão influenciando cada vez mais os grandes estúdios, especialmente quando o objetivo é conquistar o público jovem.
O resultado é uma rara trajetória que começou em fóruns da internet, passou por vídeos feitos por um adolescente e terminou com um dos maiores sucessos de terror do ano nos cinemas.







