Nova sobretaxa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump começa a valer nesta quarta-feira (22) e pode gerar perdas bilionárias para as exportações brasileiras.
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, passa a valer para parte das importações vindas do Brasil e pode provocar um impacto de até US$ 11 bilhões nas exportações nacionais.
A decisão foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após a conclusão de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o governo norte-americano, a medida foi adotada em razão de práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, políticas ambientais e regras relacionadas ao Pix.
Tarifa começa a valer nesta quarta-feira
A sobretaxa passou a ser aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir de 1h01 desta quarta-feira (22), no horário de Brasília.
No entanto, haverá uma regra de transição. Produtos embarcados antes do início da cobrança poderão entrar nos Estados Unidos sem a nova tarifa, desde que cheguem ao país até 29 de julho.
Além dos 25% adicionais, permanecem válidas as tarifas de importação já existentes. Na prática, um produto que hoje paga 5% de imposto passará a recolher 30%.
Produtos que ficaram isentos da nova tarifa
Para reduzir impactos na economia norte-americana, o governo dos Estados Unidos retirou mais de 2,1 mil produtos da lista da sobretaxa.
Entre os principais itens isentos estão:
Agropecuária
- Carne bovina;
- Café em grão, torrado e solúvel;
- Laranja e suco de laranja;
- Açaí, banana, manga, melão, abacaxi e goiaba;
- Mel, peixes e crustáceos.
Mineração e energia
- Petróleo bruto e derivados;
- Ferro-gusa;
- Sucata de aço;
- Hidróxido de alumínio;
- Minério de ferro;
- Nióbio;
- Grafite;
- Caulim;
- Gás natural.
Tecnologia, indústria e saúde
- Aviões, helicópteros, drones e peças aeronáuticas;
- Computadores, notebooks, celulares e semicondutores;
- Vacinas, insulina, antibióticos e plasma;
- Fertilizantes, ureia e sulfato de amônio.
Produtos que terão tarifa de 25%
A nova cobrança atingirá diversos setores da economia brasileira.
Biocombustíveis e produtos químicos
- Etanol de cana-de-açúcar;
- Outros biocombustíveis;
- Parte da celulose branqueada.
Indústria pesada
- Aço e alumínio semiacabados;
- Máquinas agrícolas;
- Equipamentos de mineração;
- Transformadores elétricos de grande porte.
Bens de consumo
- Calçados;
- Móveis de madeira;
- Pisos e revestimentos;
- Rochas ornamentais;
- Roupas, tecidos e peças do setor têxtil.
Governo brasileiro avalia próximos passos
Após a entrada em vigor da medida, o governo brasileiro analisa possíveis respostas. A Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoriza o Brasil a adotar contramedidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais.
Apesar disso, integrantes do governo sinalizaram que a prioridade, neste momento, é buscar uma solução por meio do diálogo.
Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a legislação não foi criada com objetivo de promover retaliações.
“A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos”, declarou o vice-presidente após reunião com representantes dos setores exportadores.







