Pesquisa identificou partículas em pessoas que sofreram infarto, mas cientistas reforçam que ainda não há comprovação de que os microplásticos causem doenças cardíacas.
Um estudo publicado na revista científica European Heart Journal identificou a presença de microplásticos e nanoplásticos no sangue de pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio. A pesquisa, divulgada em 14 de julho de 2026, observou que essas partículas apareceram com maior frequência entre pessoas atendidas após um infarto do que em outros grupos analisados.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que não existe comprovação de uma relação de causa e efeito entre os microplásticos e o infarto. O estudo mostra apenas uma associação, que ainda precisa ser investigada em pesquisas mais amplas.
O que a pesquisa descobriu?
O estudo avaliou 61 pacientes submetidos a exames para investigar doenças nas artérias do coração. Os participantes foram divididos em três grupos:
- 19 pacientes com infarto agudo do miocárdio;
- 20 pessoas com doença arterial coronariana crônica;
- 22 indivíduos com artérias coronárias consideradas normais.
As análises mostraram que:
- 84,2% dos pacientes com infarto apresentavam micro e nanoplásticos no sangue;
- Entre os pacientes com doença arterial coronariana crônica, o índice foi de 40%;
- No grupo com artérias normais, a presença das partículas foi de 31,8%.
O polietileno, plástico amplamente utilizado em embalagens, foi o material mais encontrado, aparecendo em 97% das amostras positivas.
Inflamação e tabagismo chamaram atenção
Os pesquisadores também observaram que os pacientes com infarto apresentavam uma maior quantidade e diversidade de partículas plásticas, além de níveis mais elevados de marcadores inflamatórios, como interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α).
Outro dado relevante foi a associação entre os microplásticos e o tabagismo. Após ajustes estatísticos, fumar foi o único fator que permaneceu ligado de forma independente à presença dessas partículas no sangue, aumentando em cerca de 5,7 vezes a probabilidade de detecção.
Estudo não comprova que microplásticos causam infarto
Os autores ressaltam que a pesquisa é observacional e contou com um número reduzido de participantes. Por isso, os resultados não permitem concluir que os microplásticos sejam responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Segundo os cientistas, ainda são necessários estudos maiores e com acompanhamento de longo prazo para entender se essas partículas desempenham algum papel direto no surgimento do infarto ou se a associação observada está relacionada a outros fatores, como poluição do ar, tabagismo e hábitos de vida.







