Especialistas apontam avanço da identificação do autismo em adultos e reforçam desafios de acesso a terapias no país.
O Brasil tem aproximadamente 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equivalente a 1,2% da população, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. O número reforça uma tendência já observada por especialistas: o aumento dos diagnósticos, especialmente na vida adulta.
Apesar da evolução no reconhecimento do transtorno, o acesso ao diagnóstico de autismo e às terapias especializadas ainda é considerado limitado, principalmente fora da infância.
Diagnóstico de autismo em adultos cresce no Brasil
Levantamentos como o do Mapa Autismo Brasil (MAB) indicam que grande parte dos atendimentos ainda ocorre fora do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, muitos pacientes recebem poucas horas semanais de terapia, o que evidencia desigualdade no acesso ao cuidado.
Ao mesmo tempo, cresce o número de adultos que descobrem o TEA apenas depois de anos convivendo com dificuldades sem explicação.
Segundo especialistas, esse movimento está ligado à ampliação do conhecimento científico e à atualização dos critérios diagnósticos.
Mudanças nos critérios ampliaram identificação do TEA
O neuropsicólogo Clécio Gomes, especialista em autismo adulto, explica que o aumento dos diagnósticos tardios está relacionado à forma como o transtorno era compreendido no passado.
“Com a mudança dos critérios de identificação do espectro, passou-se a perceber que o autismo nível 1 muitas vezes passa despercebido na infância e só será identificado na adolescência ou na idade adulta”, afirma.
Ele destaca que, durante décadas, o entendimento sobre o autismo era mais restrito, o que contribuiu para que muitas pessoas não fossem diagnosticadas.
Diagnóstico tardio pode trazer alívio e autoconhecimento
Embora o diagnóstico precoce seja importante para o desenvolvimento infantil, especialistas afirmam que o diagnóstico tardio também pode ter impacto positivo na vida de jovens e adultos.
Segundo Clécio Gomes, muitas pessoas chegam ao diagnóstico após anos de sofrimento e autocrítica.
“O simples fato de perceberem que aquilo que viveram não era preguiça ou falta de esforço, mas uma condição neurológica, tira um peso enorme dos ombros”, explica.
Ele afirma que mesmo diagnósticos feitos após os 30, 40 ou até 70 anos podem representar um ponto de virada na qualidade de vida.
Desafios ainda envolvem acesso e inclusão
Apesar dos avanços no diagnóstico de autismo no Brasil, especialistas reforçam que ainda há desafios importantes, especialmente no acesso a terapias multidisciplinares e políticas públicas de inclusão.
O debate também chama atenção para adultos autistas, sobretudo aqueles no nível 1 de suporte, que muitas vezes enfrentam dificuldades no ambiente escolar, profissional e social sem reconhecimento adequado das suas necessidades.
Com mais informação e ampliação da rede de atendimento, especialistas acreditam que o país pode avançar na redução das barreiras enfrentadas por pessoas com TEA e na melhoria da qualidade de vida em todas as idades.







