Estabelecimento de luxo usava insetos não autorizados para decorar sorbet; dono pode responder criminalmente pelo caso.
Um restaurante premiado com duas estrelas Michelin se tornou alvo de uma investigação na Coreia do Sul após servir uma sobremesa decorada com formigas não aprovadas para consumo. O caso veio à tona após imagens do prato circularem nas redes sociais.
O estabelecimento, localizado no distrito de Gangnam, em Seul, recebeu uma multa de cerca de 20 milhões de wons sul-coreanos, valor equivalente a aproximadamente R$ 70 mil. Além da penalidade financeira, o dono do restaurante pode enfrentar até um ano de prisão.
Sobremesa levava formigas importadas
Segundo informações divulgadas pelo jornal internacional The Guardian, o restaurante utilizava formigas secas importadas dos Estados Unidos e da Tailândia como complemento de um sorbet servido aos clientes.
De acordo com as autoridades sanitárias sul-coreanas, o uso do ingrediente era irregular porque a legislação local permite apenas algumas espécies de insetos para fins alimentícios.
Entre os insetos autorizados estão grilos, larvas-de-farinha e pupas de bicho-da-seda.
Restaurante não tinha autorização especial
O Ministério de Segurança Alimentar e Farmacêutica da Coreia do Sul informou que restaurantes interessados em utilizar insetos ainda não aprovados precisam solicitar uma autorização temporária antes de incluir o ingrediente nos pratos.
Segundo a investigação, o estabelecimento não realizou esse procedimento.
As autoridades afirmam que as formigas foram usadas nas receitas desde 2021 e que aproximadamente 12 mil sobremesas teriam sido servidas com o ingrediente durante quatro anos.
Defesa contesta valor da multa
A defesa do restaurante argumenta que a quantidade considerada pelas autoridades estaria acima da realidade. Segundo os representantes do estabelecimento, apenas parte dos clientes teria aceitado a inclusão das formigas na sobremesa.
Os advogados também afirmaram que o valor da multa, calculado com base na quantidade estimada de formigas consumidas, seria desproporcional.
Outro ponto apresentado pela defesa é que o chef responsável pelo prato já havia utilizado o ingrediente em restaurantes nos Estados Unidos e na Europa, onde a prática seria permitida, e não teria conhecimento de que o uso era ilegal na Coreia do Sul.
Caso terá nova audiência em setembro
A decisão final sobre o caso deve ocorrer após uma audiência marcada para o início de setembro. Até lá, o restaurante segue no centro do debate sobre os limites da gastronomia experimental e das normas de segurança alimentar no país.







