Tecnologia foi usada na preparação de um processo judicial e ajudou empresa a ganhar disputa por dívida de 7 mil libras
Um caso no Reino Unido chamou atenção do setor jurídico e reacendeu o debate sobre o uso de inteligência artificial na Justiça. Uma empresa conseguiu vencer um processo após utilizar uma IA praticamente em todas as etapas de preparação do caso.
O episódio é visto como um marco no avanço da tecnologia aplicada ao direito e já levanta discussões sobre até onde a automação pode ir dentro dos tribunais.
Como a inteligência artificial foi usada no processo
A ferramenta utilizada foi a plataforma Garfield AI, contratada para auxiliar na condução de uma ação de cobrança.
O caso foi julgado no Tribunal do Condado de Wandsworth, no Reino Unido, em uma sessão que durou cerca de três horas. A disputa envolvia uma dívida de 7 mil libras (aproximadamente R$ 48 mil), movida por uma consultora independente de recursos humanos.
Pelo serviço, a empresa pagou cerca de 400 libras (aproximadamente R$ 2,7 mil) para que a IA ajudasse desde a fase inicial até a organização do processo.
IA preparou documentos e estratégia do caso
Segundo informações do processo, a inteligência artificial teve um papel central na construção da ação.
Entre as funções desempenhadas, a IA:
- Elaborou depoimentos de testemunhas
- Organizou documentos do processo
- Respondeu à contestação da parte contrária
- Auxiliou na estruturação da estratégia jurídica
Apesar disso, um advogado humano esteve presente na audiência para representar formalmente a empresa no tribunal.
Decisão favorável e impacto no sistema de Justiça
Ao final, a decisão do juiz foi favorável à empresa assistida pela tecnologia, garantindo o recebimento do valor cobrado.
O caso foi classificado como um possível divisor de águas no uso de inteligência artificial no sistema judiciário, especialmente em ações de menor complexidade e alto custo proporcional de advocacia tradicional.
Debate sobre o futuro da advocacia com IA
O cofundador da Garfield AI, Philip Young, afirmou que o resultado representa um avanço importante no acesso à Justiça, especialmente para pequenas empresas que não conseguem arcar com altos custos jurídicos.
Já o advogado Dominic Li, que atuou no caso, destacou que a IA ajudou na organização e clareza do processo, mas reforçou que a atuação humana ainda é essencial em tribunais.
O episódio ocorre em meio ao crescimento global do uso de inteligência artificial no setor jurídico, levantando discussões sobre responsabilidade profissional, confiabilidade das informações e o futuro da advocacia tradicional.







