Molécula de eritrulose foi identificada em uma nuvem da Via Láctea e reforça estudos sobre a presença de compostos essenciais à vida no Universo
Pela primeira vez, cientistas conseguiram identificar um açúcar verdadeiro no espaço interestelar. A descoberta da molécula de eritrulose foi feita em uma nuvem de gás e poeira localizada próxima ao centro da Via Láctea, a cerca de 26 mil anos-luz da Terra.
O estudo, publicado na revista científica Nature Astronomy, chamou a atenção da comunidade científica por indicar que moléculas associadas aos processos biológicos podem ser mais comuns no Universo do que se imaginava.
A descoberta é considerada um avanço importante para a astrobiologia, área que investiga a origem da vida e a possibilidade de existência de ambientes habitáveis fora da Terra.
O que é a eritrulose?
A eritrulose é um tipo de açúcar formado por quatro átomos de carbono e pertence a uma família de moléculas relacionadas a processos fundamentais dos seres vivos.
Na Terra, compostos semelhantes têm participação na formação de estruturas ligadas ao DNA e ao RNA, além de outras funções essenciais para os organismos.
A substância também pode ser encontrada naturalmente em algumas frutas, como morango e framboesa.
Antes dessa descoberta, pesquisadores já haviam encontrado moléculas parecidas com açúcares no espaço. No entanto, nenhuma delas havia sido confirmada como um açúcar verdadeiro. A identificação da eritrulose representa a primeira evidência desse tipo fora do Sistema Solar.
Como o açúcar foi encontrado no espaço?
A molécula foi detectada por meio de observações feitas pelos radiotelescópios Yebes 40m e IRAM 30m, instalados na Espanha.
Os equipamentos analisaram uma região conhecida como G+0,693-0,027, uma nuvem molecular próxima ao centro da galáxia considerada uma das áreas com maior diversidade química conhecida na Via Láctea.
Para confirmar a presença da eritrulose, os cientistas compararam os sinais captados pelos telescópios com dados obtidos em testes realizados em laboratório.
Segundo a astrônoma Izaskun Jiménez-Serra, autora principal da pesquisa, essa comparação foi essencial para comprovar que a molécula encontrada realmente era um açúcar.
Descoberta pode ajudar a entender a origem da vida
Apesar de ser um avanço científico importante, a presença da eritrulose no espaço não significa que a vida exista fora da Terra ou que explique diretamente como ela surgiu.
Os pesquisadores acreditam, porém, que a descoberta mostra que moléculas orgânicas complexas podem se formar naturalmente no espaço antes mesmo da existência de planetas.
Uma das hipóteses é que esses compostos tenham surgido em partículas de gelo presentes em nuvens interestelares e depois chegado a planetas por meio de cometas e asteroides.
Para os cientistas, o resultado amplia a compreensão sobre como ingredientes químicos essenciais para a vida podem estar espalhados pelo Universo.
A descoberta da eritrulose abre novas possibilidades para pesquisas sobre a origem das moléculas orgânicas e aumenta o interesse por estudos que buscam entender se outros mundos podem reunir condições favoráveis ao desenvolvimento da vida.







