Cineasta cearense foi um dos principais nomes da história do cinema brasileiro e produziu clássicos como Vidas Secas, Terra em Transe e O Quatrilho.
O cinema brasileiro está de luto. Morreu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos, o produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história da produção audiovisual no país. Conhecido como Barretão, ele foi uma das figuras centrais do Cinema Novo e ajudou a levar obras brasileiras ao reconhecimento internacional.
A morte foi confirmada pela L.C. Barreto Produções Cinematográficas. Segundo informações divulgadas pela produtora, Barreto enfrentava um quadro de saúde delicado desde 2024.
Quem foi Luiz Carlos Barreto?
Natural de Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos. Antes de se consolidar no cinema, trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e construiu uma carreira no jornalismo, passando pelos Diários Associados e pela revista O Cruzeiro.
Também atuou como fotojornalista, roteirista e diretor de fotografia antes de se tornar um dos produtores mais influentes da história do cinema nacional.
Pioneiro do Cinema Novo
Em 1963, Barretão fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, empresa responsável por alguns dos filmes mais importantes da cinematografia brasileira.
Entre as produções que marcaram sua trajetória estão:
- Vidas Secas (1963);
- Terra em Transe (1967);
- Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976);
- O Quatrilho (1995);
- O Que É Isso, Companheiro? (1997).
Além do sucesso de público, filmes como O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro? representaram o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, ampliando o reconhecimento do cinema brasileiro no exterior.
Legado para o cinema brasileiro
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Luiz Carlos Barreto teve papel decisivo na consolidação do Cinema Novo, movimento que revolucionou a produção cinematográfica nacional a partir dos anos 1960.
Seu trabalho contribuiu para revelar grandes diretores, fortalecer o cinema brasileiro e transformar diversas produções em referências culturais dentro e fora do país.
Família e despedida
Luiz Carlos Barreto deixa a esposa e parceira de longa data, Lucy Barreto, com quem dividiu a vida e inúmeros projetos cinematográficos.
Também deixa os filhos Bruno Barreto, diretor de cinema, Paula Barreto, produtora, e o legado de Fábio Barreto (1957–2019), além de nove netos.
A trajetória de Barretão permanece como uma das mais importantes da história do audiovisual brasileiro, marcada pela produção de filmes que ajudaram a construir a identidade do cinema nacional e conquistaram reconhecimento internacional.







