Expressões como redpill, incel e MGTOW ganharam espaço nas redes sociais nos últimos anos. Apesar de parecerem apenas gírias da internet, muitos desses termos nasceram em fóruns online e passaram a ser usados por comunidades que difundem ideias machistas e discursos hostis contra mulheres.
O termo redpill surgiu a partir do filme Matrix. Na história, o personagem precisa escolher entre tomar a “pílula vermelha”, que revela a verdade sobre o mundo, ou a “pílula azul”, que mantém a ilusão. Na internet, a expressão foi apropriada por grupos que afirmam ter “despertado” para uma suposta realidade sobre relações entre homens e mulheres. Dentro dessas comunidades, a ideia costuma ser associada à crença de que os homens deveriam recuperar poder nas relações e que as mulheres teriam vantagens sociais injustas.
Outro termo bastante citado é incel, abreviação de involuntary celibate, que significa “celibatário involuntário”. A palavra é usada por homens que dizem não conseguir se relacionar afetivamente ou sexualmente e que muitas vezes culpam as mulheres por essa situação. Em alguns fóruns, esse discurso pode evoluir para ressentimento e hostilidade contra mulheres e outras pessoas sexualmente ativas.
Também aparece com frequência a sigla MGTOW, que significa Men Going Their Own Way — algo como “homens seguindo seu próprio caminho”. Esse movimento defende que os homens deveriam evitar relacionamentos com mulheres e focar apenas na própria vida, partindo da ideia de que o feminismo teria prejudicado os homens na sociedade.
Além dessas expressões, existem outros termos usados dentro desses grupos online. Entre eles estão blackpill, que representa uma visão ainda mais radical e pessimista sobre relacionamentos, e rótulos como “Chad” e “Stacy”, utilizados para classificar homens considerados atraentes e mulheres vistas como inalcançáveis dentro dessas comunidades.
Pesquisadores apontam que esse vocabulário faz parte do que ficou conhecido como “machosfera”, um conjunto de fóruns e comunidades digitais que discutem masculinidade, relacionamentos e frustrações pessoais. Em muitos casos, esses espaços acabam fortalecendo narrativas de ressentimento e hostilidade contra mulheres. essas narrativas circulam na internet e como elas podem influenciar debates sobre gênero e comportamento nas redes sociais.







