Vítima saiu de Foz do Iguaçu para encontrar um homem em Cidade do Leste, mas acabou mantida em cativeiro por mais de 12 horas
O que seria um encontro marcado por um aplicativo de relacionamento terminou em momentos de terror para um brasileiro na fronteira entre Brasil e Paraguai. A vítima foi sequestrada, agredida e obrigada a realizar transferências bancárias e empréstimos após combinar um encontro pelo Grindr em Cidade do Leste.
Segundo o relato, o homem estava em Foz do Iguaçu (PR) a trabalho quando conheceu um perfil no aplicativo. Após conversarem, os dois combinaram de jantar no lado paraguaio da fronteira.
Encontro no Grindr terminou em cativeiro
Ao chegar em Cidade do Leste, o brasileiro foi recebido por um motociclista que, em vez de levá-lo ao local combinado, seguiu para uma área isolada no bairro San Rafael. No destino, outros homens armados aguardavam a vítima.
Conforme o depoimento, os criminosos passaram a agredi-lo e exigiram acesso ao celular. Sob ameaças de morte, ele foi forçado a desbloquear o aparelho, permitindo que os suspeitos realizassem transferências bancárias, contratassem empréstimos e utilizassem seus cartões de crédito.
A vítima afirmou que permaneceu em poder do grupo por mais de 12 horas. Durante a madrugada, foi levada para diferentes pontos de uma área de mata enquanto os criminosos repetiam que esconderiam seu corpo caso não colaborasse.
Vítima conseguiu escapar e procurou a polícia
O brasileiro conseguiu fugir depois de ser abandonado em uma viela. Ao reconhecer a região central de Cidade do Leste, caminhou até as proximidades da Ponte da Amizade e procurou a Polícia de Turismo do Paraguai para registrar a ocorrência.
O caso também foi comunicado à Polícia Civil do Paraná, que acompanha as investigações.
Segundo a vítima, o prejuízo financeiro chegou a cerca de R$ 100 mil. Parte das operações foi bloqueada por uma instituição bancária, mas outras transações ainda não foram revertidas.
Golpe com aplicativo de relacionamento preocupa autoridades
A Polícia Nacional do Paraguai informou que esse tipo de crime tem sido recorrente no bairro San Rafael, tendo como principais alvos turistas brasileiros.
De acordo com as autoridades, os criminosos costumam usar aplicativos de relacionamento para atrair vítimas, levá-las a locais isolados e obrigá-las, sob ameaça, a fazer transferências bancárias e contratar empréstimos.
Somente neste ano, oito casos semelhantes já foram registrados na região. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.
Em nota, o Grindr afirmou que repudia qualquer uso da plataforma para atividades criminosas e disse colaborar com as autoridades durante as investigações. A empresa também reforçou recomendações de segurança, como verificar a identidade do perfil por chamada de vídeo, marcar o primeiro encontro em locais públicos e compartilhar a localização com pessoas de confiança.







