O ator Wagner Moura voltou a provocar debate internacional ao afirmar que tem medo de ser abordado pela polícia de imigração dos Estados Unidos (ICE) mesmo morando legalmente no país. As declarações foram feitas em uma entrevista recente ao jornal espanhol El País, em meio à divulgação de seu novo filme O Agente Secreto.
Medo real em território americano
Moura, indicado ao Oscar de Melhor Ator, disse que, apesar de sua posição consolidada no cinema e de viver nos Estados Unidos há anos, teme como reagiria se cruzasse com agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Ele ressaltou que costuma reagir com intensidade diante de casos de injustiça ou autoritarismo, mas agora não tem certeza se conseguiria manter a calma. Moura foi bem claro: segundo ele, os agentes podem até matar em confrontos desse tipo, uma preocupação que reflete a tensão sentida por muitos imigrantes no país.
Crítica à política migratória e clima de medo
O ator relacionou seu receio às políticas migratórias mais rígidas implementadas sob o governo de Donald Trump, que, segundo ele, criam um ambiente de insegurança que vai além de quem está sem documentos. Ele afirmou que muitos imigrantes latinos vivem com medo de sair de casa ou até de levar os filhos à escola por temer abordagens da polícia de imigração.
Comparações com o Brasil
A fala de Moura não ficou restrita à realidade nos Estados Unidos. Ele também traçou paralelos com o cenário político recente no Brasil, dizendo que regimes autoritários tendem a demonizar artistas, jornalistas e universidades, transformando-os em alvos de desconfiança ou hostilidade. Para o ator, esse padrão se repetiu nos dois países, evidenciando um momento global de polarização e ataque à liberdade de expressão.
Entre carreira e engajamento
Além de seu trabalho nas telas, o posicionamento de Moura tem chamado atenção nas redes e na imprensa. O ator vive em Los Angeles com a família há cerca de sete anos, equilibrando carreira internacional com um discurso público que mescla arte, contexto social e crítica política.
A declaração reforça um debate mais amplo sobre imigração, segurança e direitos nas sociedades ocidentais — um tema que tem impacto direto sobre milhões de pessoas que vivem longe de seus países de origem.







