A influenciadora Virginia Fonseca movimentou a web ao embarcar em uma verdadeira maratona aérea para se encontrar com o jogador Vini Jr. em Madri. Segundo o Extra, foram mais de 60 horas em voos em poucos dias, com um gasto estimado de R$ 100 mil. A frequência da ponte aérea entre Brasil e Europa levantou uma questão: tantas horas de voo em períodos curtos podem fazer mal à saúde?
Faz mal?
Para o médico Gleison Guimarães, especialista em medicina do sono e medicina respiratória, professor da UFRJ e da MEVBrasil, o impacto é real e vai além do cansaço momentâneo. “Quando uma pessoa viaja com frequência entre fusos horários tão distintos, como entre o Brasil e a Europa, pode ocorrer um conflito interno entre o relógio biológico e o relógio social. Isso é o que chamamos de ‘jet lag’ e, quando se torna parte da rotina, podemos falar também em um jet lag social crônico”, explicou.
Segundo ele, a viagem de oeste para leste, como do Rio de Janeiro para Madri, costuma ser ainda mais desafiadora. “Estamos encurtando o dia. O corpo precisa adiantar o ritmo circadiano — dormir e acordar mais cedo —, algo que naturalmente é mais difícil para nós, que nos adaptamos melhor a dias mais longos”, detalhou.
Possíveis consequências
De acordo com Guimarães, as repercussões clínicas de quem atravessa fusos repetidamente são amplas e cumulativas. Entre os principais riscos, ele aponta:
- Distúrbios do sono: dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes e sono não reparador.
- Déficit cognitivo: queda de atenção, memória e tempo de reação.
- Alterações metabólicas: desregulação da glicemia, resistência à insulina e risco de síndrome metabólica.
- Impacto cardiovascular: maior risco de hipertensão, arritmias e doença coronariana.
- Alterações de humor: ansiedade, irritabilidade e sintomas depressivos.
- Imunossupressão: redução da resposta imune e maior predisposição a infecções.
“O mais preocupante é que essas consequências não aparecem de imediato. Elas se acumulam silenciosamente, como se o corpo estivesse sempre ‘meia hora atrasado’ para a própria vida”, alertou o médico.
Como minimizar os efeitos
O especialista destaca que quem viaja com frequência entre continentes precisa ter uma estratégia para proteger o corpo. “É fundamental regular a exposição à luz, manter horários consistentes de sono, alimentação e treino, além de evitar álcool e cafeína antes do repouso. Sempre que possível, deve-se sincronizar gradualmente o horário de dormir e acordar antes de cada viagem”, recomendou.
E concluiu com uma metáfora: “O relógio biológico não tem passaporte. Mas ele cobra caro quando é ignorado.”







