O resgate da ex-atriz da Globo Rejane Schumann, de 74 anos, em condições precárias em Porto Alegre (RS), segue causando comoção. A veterana foi encontrada em um apartamento insalubre, sem comida, água ou luz, vivendo em meio a fezes de animais e apresentando sinais de demência e desnutrição.
De acordo com o médico especialista em saúde mental Dr. Iago Fernandes, a situação de Rejane é resultado de um conjunto de fatores psicológicos, neurológicos, sociais e econômicos. “O quadro encontrado, com ambiente insalubre, ausência de alimentos e higiene, além de sinais claros de demência, sugere um complexo cenário de abandono psicossocial”, explica.
Declínio cognitivo e isolamento
Relatos apontam que Rejane já apresentava sinais de demência, com lapsos de memória e momentos de confusão. Segundo o especialista, isso compromete o autocuidado básico, como alimentação, higiene e segurança. “A demência também pode levar à desorientação e isolamento, agravando a incapacidade de buscar ajuda“, pontuou.
Vínculo com os animais
Mesmo sem condições para si mesma, Rejane priorizou os animais de estimação, garantindo ração para eles enquanto passava fome. Para o médico, isso revela forte apego emocional aos pets, mas também sinais de desconexão consigo mesma, algo comum em quadros de depressão, luto ou abandono.
“Apesar das condições extremas, sem comida ou água para si, Rejane colocou os animais em primeiro lugar, mantendo ração para eles enquanto ela passava fome. Isso pode refletir vínculos afetivos fortes com os pets, que funcionam como referências emocionais. Paralelamente, mostra uma desconexão emocional consigo, muitas vezes presente em quadros de depressão, luto ou abandono”, disse.
Vulnerabilidade econômica
A falta de mantimentos, energia elétrica e higiene básica indicam fragilidade financeira. Há ainda suspeitas de que vizinhos estariam controlando seus cartões, o que pode caracterizar abuso e descuido estrutural.
O impacto do esquecimento social
O Dr. Iago ressalta ainda o peso emocional de ter sido uma figura pública e, hoje, viver em invisibilidade.
“O esquecimento social pode gerar profundo sofrimento psicológico, culpa, vergonha e sensação de desvalorização. É urgente criar políticas de apoio a idosos, para evitar que cheguem a esse ponto de fragilidade”, conclui.







