Quase 20 dias após o falecimento de Preta Gil, médica Roberta Saretta, que acompanhou a cantora durante o tratamento contra o câncer, falou sobre o caso. A profissional relatou como foram os últimos momentos de vida da filha de Gilberto Gil nos Estados Unidos.
Segundo Roberta, quando descobriu que o tratamento no exterior não estava fazendo efeito, Preta decidiu voltar ao Brasil. No entanto, acabou falecendo na ambulância a caminho do hospital, após a equipe médica perceber que ela não conseguiria embarcar.
“Quando a ambulância chegou para levá-la ao aeroporto e os paramédicos mediram as taxas, ela estava estável, com índices normais: pressão, eletro, tudo. Ela queria, com todas as forças, chegar ao Brasil. Durante o trajeto de uma hora e vinte minutos até o avião, fiquei de frente para ela, repetindo que a levaria para casa. Ela esteve acordada o tempo todo. Ao chegar ao aeroporto, passou mal, vomitou. ‘Estamos quase lá’, eu falei. ‘Preta, você dá conta de viajar? Segura mais um pouco?’ E ouvi a resposta: ‘Não dou conta’. Pedi para o paramédico nos levar ao hospital mais próximo. Chegamos em oito minutos. Quiseram reanimá-la. Poucos minutos depois, ela se foi”, relatou em entrevista ao O GLOBO.
Tratamento experimental de Preta Gil
Após não reagir ao tratamento feito no Brasil, Preta tomou a decisão de ir para os Estados Unidos. A médica contou que sua intenção era sobreviver à doença. “A Preta não queria apenas viver mais seis, oito meses cercada de amigos, e tudo bem. Ela queria sobreviver por muito mais tempo. É diferente. Ela queria viver mais 15 anos. Só entende isso quem lida com a morte. O cuidado paliativo não é só estar com a família. É compreender o indivíduo. A possibilidade do tratamento experimental a iluminou”.
Entretanto, Roberta Saretta, coordenadora da equipe do cardiologista Roberto Kalil, no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, confessou que não foi fácil. “Tivemos a ajuda da Marina Morena (empresária e amiga muito próxima da Preta), que é muito bem relacionada. Procuramos em vários lugares, e fomos negados em muitos. Não é simples mesmo. A preferência é para os americanos; há uma infinidade de regras. Teve um médico que chegou a falar: ‘Se você sobreviver, volte aqui’. Conseguimos entrar em um centro pequeno, que aplica os mesmos protocolos de grandes instituições, com excelentes oncologistas, na Virgínia. Eu e grandes amigos da Preta fomos juntos. Fiz as primeiras consultas e voltei para o Brasil. Eles ficaram”, relembrou.







