Atriz revelou as limitações impostas pela condição autoimune, enquanto especialista destaca que os diagnósticos da doença têm aumentado nos últimos anos.
A atriz Ana Beatriz Nogueira voltou a falar sobre a esclerose múltipla, doença autoimune diagnosticada em 2009. Em entrevista concedida no ano passado ao videocast Conversa vai, conversa vem, do jornal O Globo, a artista contou como a condição impacta sua rotina e revelou os cuidados necessários para manter a qualidade de vida.
Segundo a atriz, o controle da temperatura corporal e a redução do estresse são fundamentais para evitar o agravamento dos sintomas.
“Não posso fazer sauna, lidar com temperaturas altíssimas. Tomo banho frio. Tenho truques, como um gelinho para esfriar o corpo pelo pulso, pela nuca. A kriptonita é o estresse, que não é bom pra ninguém. Se aborrecer dias seguidos com coisas desnecessárias. Ou não respeitar um momento de descanso”, afirmou.
O que é a esclerose múltipla?
Em entrevista à CARAS Brasil, o neurocirurgião Dr. Guilherme Rossoni explicou que a esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune, na qual o sistema imunológico passa a atacar a mielina, camada responsável por proteger os nervos.
Com esse processo, a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo fica comprometida, provocando sintomas que variam de pessoa para pessoa.
Apesar de ser uma doença crônica, o especialista destaca que os tratamentos atuais permitem controlar sua evolução e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
Principais sintomas da esclerose múltipla
De acordo com o médico, os sinais da doença podem ser diferentes em cada paciente, mas alguns sintomas são mais frequentes, como:
- Visão embaçada ou perda temporária da visão;
- Fraqueza nos braços e nas pernas;
- Formigamentos;
- Alterações no equilíbrio;
- Tontura;
- Cansaço intenso;
- Dificuldade para caminhar.
O especialista também explica que algumas pessoas podem desenvolver dores persistentes, que exigem avaliação médica para definição do tratamento mais adequado.
Número de diagnósticos aumentou
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem com esclerose múltipla em todo o mundo.
Para o Dr. Guilherme Rossoni, o aumento no número de diagnósticos está relacionado ao avanço dos exames e ao maior conhecimento sobre a doença.
“A esclerose múltipla não é considerada uma doença comum, mas o número de diagnósticos tem aumentado nos últimos anos. Isso acontece principalmente porque hoje temos mais acesso a exames de imagem, como a ressonância magnética, e maior conhecimento sobre a doença.”
O médico acrescenta que a condição costuma ser mais frequente em adultos entre 30 e 40 anos e apresenta maior incidência entre as mulheres.
Tratamento ajuda a controlar a doença
Embora ainda não exista cura para a esclerose múltipla, os tratamentos disponíveis ajudam a reduzir as crises, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Além do uso de medicamentos, o acompanhamento multidisciplinar, com fisioterapia e prática de atividades físicas orientadas, é considerado essencial.
Segundo o especialista, o diagnóstico precoce faz toda a diferença para o sucesso do tratamento e para a preservação da autonomia dos pacientes ao longo dos anos.







