Uma adolescente que tinha 15 anos quando sofreu um acidente no Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, teve de retirar o rim direito após cair dentro de uma atração de terror. A Justiça paulista manteve a condenação do parque ao pagamento de R$ 60 mil em indenização.
A decisão da 31ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) foi unânime. O valor inclui R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos. O parque contesta a responsabilidade pelo acidente e afirma que pretende recorrer.
Acidente aconteceu durante excursão escolar
A queda ocorreu em 16 de novembro de 2023, quando a adolescente visitava o parque em uma excursão escolar. Ela estava na “Casa dos Monstros”, atração da programação da Hora do Horror.
Segundo o advogado da jovem, George Souza, um funcionário caracterizado como personagem a surpreendeu e passou a persegui-la. Com pouca iluminação no ambiente, ela tentou se afastar correndo, caiu e bateu o lado direito do corpo contra uma estrutura rígida.
Nos autos, o objeto é descrito como uma espécie de quina, pedra ou degrau. O Hopi Hari contesta a existência de um degrau no local.
Após sentir fortes dores, a adolescente foi acompanhada por uma monitora da escola até o ambulatório do parque. Depois, foi transferida em uma ambulância UTI para o Hospital Santa Helena, em Santo André.
Lesão levou à retirada do rim direito
Segundo a defesa da jovem, os exames identificaram uma ruptura completa do tecido do rim, um grande hematoma ao redor do órgão e líquido na cavidade abdominal.
A adolescente precisou passar por uma cirurgia de emergência para retirar o rim direito. De acordo com o advogado, ela sofreu hemorragia e choque hipovolêmico, quadro que impediu a preservação do órgão. A perícia confirmou a relação entre a queda e a lesão renal.
A jovem continua em acompanhamento médico. Segundo Souza, ela precisa seguir orientações sobre alimentação, atividades físicas e uso de medicamentos para preservar o funcionamento do rim remanescente.
A cirurgia também deixou uma cicatriz de aproximadamente 17 centímetros no abdômen. O TJ-SP considerou a marca permanente e seus impactos na aparência e na autoimagem da adolescente, que relatou constrangimento ao frequentar praias e piscinas.
Por que a Justiça manteve a indenização?
Ao analisar o recurso, o tribunal entendeu que correr ou tentar fugir de um susto é uma reação previsível em uma atração criada para provocar medo. Por isso, a conduta da adolescente não foi considerada suficiente para afastar a responsabilidade do Hopi Hari.
Embora a perícia tenha confirmado que a queda causou a lesão, a perita concluiu que os danos não estavam relacionados a uma atuação do parque. Os desembargadores, porém, destacaram que a definição de responsabilidade é uma questão jurídica e não depende exclusivamente dessa conclusão técnica.
O tribunal também levou em conta a ausência de imagens do sistema de monitoramento que poderiam esclarecer as circunstâncias do acidente.
Além de manter os R$ 60 mil por danos morais e estéticos, a Justiça rejeitou um pedido de R$ 150 mil por danos materiais.
Hopi Hari contesta decisão e anuncia recurso
Em manifestação ao UOL, o Hopi Hari afirmou que pretende recorrer. O parque sustenta que a adolescente descumpriu as regras da atração ao correr e cita a conclusão da perita de que a empresa não contribuiu para o resultado do acidente.
A empresa também argumenta que a condenação teria se baseado no fato de a queda ter ocorrido dentro de suas dependências.
Após o julgamento, o parque apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados por unanimidade. O TJ-SP afirmou não haver omissão ou contradição na decisão e alertou que novos recursos apresentados apenas para rediscutir pontos já analisados poderão resultar em multa.
O Hopi Hari ainda pode tentar recorrer aos tribunais superiores. O pagamento da indenização dependerá do andamento







