Especialista explica os riscos de infecções após ataques de primatas e reforça que qualquer mordida ou arranhão exige atendimento médico imediato.
A suspeita de que a morte da atriz turca Ece Irtem, de 35 anos, possa estar relacionada a uma infecção provocada por uma mordida de macaco reacendeu o debate sobre os riscos de zoonoses transmitidas por primatas.
Embora não haja confirmação de que o ataque tenha causado a morte da atriz, especialistas alertam que mordidas e arranhões de macacos podem transmitir doenças graves, algumas com alta taxa de mortalidade.
Raiva e Herpes B estão entre os principais riscos
Segundo o biólogo Fabiano Soares, a proximidade evolutiva entre humanos e primatas facilita a transmissão de vírus e bactérias por meio da saliva ou de ferimentos.
Entre as doenças que mais preocupam está a raiva, infecção viral que atinge o sistema nervoso central.
O especialista explica que a doença pode permanecer incubada por semanas ou meses, sem apresentar sintomas. No entanto, após o início das manifestações neurológicas, a taxa de mortalidade é extremamente elevada.
Outro risco citado é o vírus Herpes B, encontrado em algumas espécies de macacos. Embora normalmente não provoque sintomas nos animais, ele pode causar encefalite grave e potencialmente fatal em seres humanos.
Mesmo ferimentos leves exigem atenção
Fabiano Soares ressalta que a gravidade do ferimento nem sempre indica o risco de infecção.
Segundo ele, até mesmo um arranhão superficial pode permitir a entrada de vírus e bactérias no organismo.
Além das doenças virais, a boca dos macacos abriga bactérias capazes de provocar infecções locais, abscessos, celulite e, em situações mais graves, evoluir para sepse, conhecida como infecção generalizada.
Atendimento médico deve ser imediato
Especialistas recomendam que qualquer pessoa mordida ou arranhada por um animal silvestre procure atendimento médico imediatamente.
Quando indicado, o tratamento preventivo com vacina e soro antirrábico deve ser iniciado o quanto antes, antes mesmo do surgimento de sintomas.
Ataques geralmente acontecem após aproximação humana
O biólogo destaca que os macacos não costumam ser animais agressivos e que a maioria dos acidentes ocorre quando pessoas tentam alimentá-los, tocá-los ou tirar fotos muito próximas.
Segundo ele, esse comportamento gera estresse e faz com que os animais reajam em defesa do próprio território.
Como evitar acidentes com macacos
Para reduzir os riscos, especialistas recomendam:
- manter distância de animais silvestres;
- não oferecer alimentos aos primatas;
- evitar qualquer tentativa de contato físico;
- nunca tentar domesticá-los ou atraí-los para fotos.
Além de proteger a saúde das pessoas, essas medidas ajudam a preservar o comportamento natural dos animais e contribuem para a conservação da fauna.
Apesar da repercussão do caso envolvendo Ece Irtem, as autoridades turcas ainda não confirmaram a causa da morte da atriz, e a hipótese de infecção após uma suposta mordida de macaco segue sob investigação.







