Especialista aponta suspeita de parvovirose em criança de 10 anos após caso envolvendo detergente ganhar repercussão nacional
O caso da menina Maria Clara Silva, de 10 anos, internada em Natal após apresentar lesões na pele, segue repercutindo nas redes sociais e mobilizando autoridades de saúde do Rio Grande do Norte. Apesar da suspeita inicial envolvendo um detergente da marca Ypê, um infectologista descartou praticamente qualquer ligação entre o produto e o quadro da criança.
Segundo o médico infectologista Dr. Kleber Luz, as manchas apresentadas pela menina têm características compatíveis com parvovirose, uma infecção viral causada pelo parvovírus B19 e bastante comum em crianças.
Médico afasta suspeita de contaminação por detergente
Maria Clara começou a apresentar sintomas após lavar as mãos com um detergente cujo lote estava entre os citados em alerta recente da Anvisa. A situação levantou suspeitas da família e rapidamente ganhou grande repercussão.
No entanto, após analisar as imagens das lesões, o infectologista afirmou que o quadro não se parece com contaminação causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, relacionada ao recolhimento de alguns lotes do produto.
“A chance de ser a bactéria do Ypê é quase impossível. As manchas causadas pela Pseudomonas são escuras, enegrecidas”, explicou o especialista.
Mãe relata dificuldade para conseguir atendimento
A mãe da criança, Tatiana Silva, contou que os sintomas começaram no dia 6 de maio. Segundo ela, Maria Clara tinha um pequeno ferimento na mão e começou a passar mal cerca de 40 minutos após utilizar o detergente.
A menina passou por diferentes unidades de saúde antes de conseguir transferência para o Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, onde permanece internada. O estado de saúde é considerado estável e houve leve melhora nos últimos dias.
Caso ganhou repercussão política nas redes
Com a repercussão do episódio, Tatiana afirmou ter sido alvo de ataques nas redes sociais depois que o caso passou a ser associado a debates políticos envolvendo os donos da empresa fabricante do detergente.
Emocionada, ela negou qualquer motivação política ao procurar ajuda da imprensa.
“Minha única preocupação é com a saúde da minha filha”, desabafou.
Secretaria de Saúde investiga caso
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal e a Sesap-RN informaram que o caso segue sob investigação da Vigilância Epidemiológica.
Exames laboratoriais foram realizados para confirmar se Maria Clara está com parvovirose. O resultado oficial deve sair nos próximos dias.
Segundo a Secretaria de Saúde, não houve necessidade de recolher o frasco do detergente da residência da família porque o lote citado já estava previamente identificado pela Anvisa.







