O BTS está de volta ao Brasil e promete movimentar milhares de fãs com três apresentações no Estádio do MorumBIS, em São Paulo. Os shows acontecem nos dias 28, 30 e 31 de outubro, como parte da turnê mundial ARIRANG, que marca o retorno do grupo após o período dedicado aos projetos individuais e ao serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.
Formado por RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jung Kook, o grupo se tornou um dos maiores fenômenos da música pop. A popularidade dos artistas ultrapassou as fronteiras do K-pop e trouxe uma comparação com os Beatles, responsáveis por mobilizar multidões durante a chamada Beatlemania, nas décadas de 1960 e 1970.
A trajetória do BTS no Brasil ajuda a mostrar esse crescimento. Em 2014, o primeiro encontro do grupo com fãs brasileiros reuniu entre 1.500 e 2 mil pessoas. No ano seguinte, cerca de 8 mil espectadores acompanharam a primeira apresentação oficial de turnê no país. Agora, as três datas no MorumBIS estão esgotadas.
BTS e Beatles: gerações diferentes, fenômenos semelhantes
A comparação entre BTS e Beatles vai além dos números de vendas e da quantidade de fãs. Os dois grupos conquistaram públicos de diferentes países e transformaram a relação entre artistas e admiradores.
Durante os anos 1960, os Beatles alcançaram popularidade mundial por meio do rádio, da televisão e da venda de discos. Já o BTS construiu parte de sua trajetória em um cenário dominado pelas redes sociais, plataformas de streaming e comunidades digitais.
Apesar das diferenças, ambos representam fenômenos culturais que ultrapassam a música. A identificação dos fãs com os integrantes, as tendências de comportamento e a mobilização coletiva mostram como artistas podem influenciar gerações.
Um exemplo histórico aconteceu em agosto de 1965, quando os Beatles reuniram aproximadamente 55 mil pessoas no Shea Stadium, em Nova York. A apresentação ficou marcada pelos gritos dos admiradores, que chegaram a dificultar a audição das músicas.
Décadas depois, o BTS vive uma mobilização semelhante, embora adaptada à realidade digital e às particularidades do público atual.
Números mostram a força do BTS na indústria musical
O crescimento internacional do BTS também aparece nas paradas musicais. Em 2017, a música DNA entrou na Billboard Hot 100, enquanto o remix de MIC Drop, com participação de Steve Aoki, permaneceu dez semanas na lista.
No ano seguinte, FAKE LOVE alcançou a décima posição da parada, e o álbum Love Yourself: Tear estreou no topo da Billboard 200. Em 2020, Dynamite se tornou a primeira música de um artista de K-pop a estrear na liderança da Hot 100.
No Brasil, a procura pelos ingressos da turnê ARIRANG também impressionou. Segundo dados divulgados pela Ticketmaster, mais de 1,9 milhão de pessoas participaram do processo de compra ao longo dos três dias de venda, gerando uma demanda estimada em 3,7 milhões de ingressos.
As entradas para as três apresentações se esgotaram em menos de 90 minutos. A expectativa é que os shows reúnam aproximadamente 253,3 mil espectadores.
De acordo com estimativas da São Paulo Turismo (SPTuris), os eventos podem movimentar mais de R$ 330 milhões na economia da capital paulista, considerando a receita com ingressos e os gastos dos visitantes. Desse total, quase R$ 260 milhões correspondem à arrecadação bruta estimada com as entradas.
O sucesso também aparece nas plataformas digitais. O álbum ARIRANG, que reúne músicas como SWIM, Like Animals e Hooligan, registrou 78,6 milhões de reproduções no Brasil durante a primeira semana de lançamento.
Com esse resultado, o país ficou atrás apenas dos Estados Unidos no consumo do disco. O retorno do grupo também impulsionou suas reproduções no Spotify Brasil em 727%, enquanto 14 faixas entraram simultaneamente no Top 200 nacional.
ARMY transforma admiração pelo BTS em mobilização mundial
Outro elemento importante para compreender o sucesso do BTS é sua relação com o ARMY, nome dado à comunidade internacional de fãs.
Ao longo dos anos, o grupo construiu uma ligação com o público por meio de músicas que abordam temas como juventude, autoestima e aceitação. Essa conexão também ganhou espaço em iniciativas sociais.
Em parceria com a UNICEF, os artistas lançaram a campanha Love Myself, voltada ao combate à violência contra crianças e adolescentes. Entre 2018 e 2021, os integrantes também levaram mensagens sobre os desafios enfrentados pelos jovens à Organização das Nações Unidas (ONU).
A identificação com essas causas ajudou a fortalecer uma comunidade que se mobiliza para divulgar lançamentos, organizar campanhas e apoiar os artistas.
Entretanto, a intensidade dessa relação também provoca discussões. Em algumas situações, críticas ao grupo são interpretadas como ataques pessoais, enquanto disputas entre comunidades de fãs acabam ganhando proporções maiores nas redes sociais.
Esses comportamentos, porém, não representam todo o ARMY e também não são exclusivos do BTS. Ao longo da história, diferentes artistas despertaram reações semelhantes entre seus admiradores.
Comparação com a Beatlemania também levanta debate sobre fãs
A aproximação entre BTS e Beatles também chama atenção para a maneira como a sociedade enxerga manifestações de admiração.
Fãs, especialmente mulheres, frequentemente enfrentam críticas por demonstrarem emoções intensas em shows. Ao mesmo tempo, comportamentos semelhantes costumam ser tratados com maior naturalidade em ambientes como o futebol.
A diferença de percepção revela como determinadas manifestações culturais ainda são julgadas de maneiras distintas, mesmo quando envolvem sentimentos parecidos de identificação e pertencimento.
Embora seja impossível medir diretamente o impacto cultural de grupos separados por tantas décadas, o BTS já ocupa um espaço importante na história da música contemporânea.
Assim como os Beatles marcaram sua geração, o septeto sul-coreano demonstra que a capacidade de reunir multidões e criar conexões com o público continua sendo uma das principais forças da indústria musical.







