Aos 89 anos, Moacyr Franco acumula uma trajetória brilhante como ator, cantor, compositor e humorista, mas pouca gente sabe o tamanho do sacrifício que ele fez para defender seu espaço na televisão. Quando foi dispensado do SBT em novembro de 2017, após quase duas décadas de casa, o veterano protagonizou uma tentativa inusitada e desesperada para continuar no ar: ele pediu para rasgar seu contrato vigente e se propôs a receber apenas R$ 500 por mês — ou até mesmo trabalhar de graça.
A atitude dramática refletia o imenso apego emocional do artista à sua criação e ao icônico banco de A Praça É Nossa, onde imortalizou personagens como o caipira Jeca Gay e o bordão “Chic no Urtimo!”. Na época, a demissão foi justificada pela emissora como uma medida de contenção de despesas. Em desabafo nas redes sociais, Moacyr revelou que recebia R$ 40 mil mensais — um valor que ele considerava “insignificante” para os padrões da TV e que já representava uma redução de 70% aceitada anos antes para ajudar o canal.
“Torço muito para que meus R$ 40 mil salvem a economia da emissora”, ironizou na época.
Apesar da recusa na ocasião, o talento de Moacyr continuou em alta no mercado. Ele foi recontratado pelo próprio SBT tempos depois como jurado, brilhou na série Segunda Chamada (Globo) e prova que a criatividade não tem idade: dono de 42 discos de ouro e consagrado no cinema com o filme O Palhaço, ele resume perfeitamente sua filosofia de vida: “Não deem sossego ao cérebro! Não paro de criar”.







