O Banco Central (BC) está de olho no uso indevido de um dos recursos mais populares do sistema de pagamentos. De acordo com o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, a autarquia estuda novas regras para impedir que o campo de mensagens do Pix seja utilizado para o envio de conteúdos ofensivos, intimidatórios ou ameaçadores.
Criada originalmente para registrar informações objetivas sobre a transferência, a ferramenta passou a ser explorada por alguns usuários para práticas de assédio — muitas vezes utilizando operações de valores simbólicos para enviar recados impróprios.
O que está sendo discutido?
Para combater o problema sem prejudicar a experiência de quem usa o sistema de forma correta, o Banco Central criou um grupo de trabalho especial dentro do Fórum Pix, reunindo instituições financeiras e representantes da sociedade civil.
O objetivo é encontrar soluções técnicas e regulatórias para garantir a segurança no uso da ferramenta. Por enquanto, ainda não há uma regra oficial aprovada que proíba ou filtre automaticamente esse tipo de mensagem, mas as conclusões do grupo devem embasar futuras mudanças no regulamento.
O que mais vem por aí no Pix?
Além do debate sobre as mensagens, o relatório do Banco Central aponta outras novidades e melhorias em estudo para o sistema nos próximos tempos:
- Pix offline: A possibilidade de realizar transferências e pagamentos mesmo sem conexão com a internet.
- Pix Automático: Aprimoramentos na modalidade de cobranças recorrentes.
- Pix Garantia: Uma alternativa para permitir o uso de recebimentos futuros como garantia em operações de crédito, com foco especial no setor empresarial.
- Segurança reforçada: Discussão sobre critérios mínimos para identificar operações suspeitas de fraude e a obrigatoriedade de alertas contra golpes por parte dos bancos.
A gigante máquina do Pix em números
A preocupação do Banco Central com a segurança e o bem-estar dos usuários se justifica pelo tamanho estrondoso que o sistema atingiu.
Em 2025, o Pix bateu recordes históricos:
- Quase 80 bilhões de transações realizadas.
- Mais de R$ 35 trilhões movimentados.
- Cerca de 148 milhões de brasileiros (86% da população adulta) utilizaram o serviço.
- Mais de 920 milhões de chaves cadastradas entre pessoas físicas e jurídicas.







