A formação de um ciclone-bomba no Atlântico Sul colocou o Brasil em alerta nesta semana. O fenômeno meteorológico tem potencial para provocar tempestades, queda de granizo e ventos muito fortes, afetando principalmente os estados da Região Sul e avançando para trechos do Sudeste e Centro-Oeste.
Apesar do nome impressionante, o termo “bomba” não se refere a um tipo totalmente novo de tempestade. Na verdade, trata-se de um ciclone extratropical que ganha força de forma extremamente rápida — processo científico conhecido como ciclogênese explosiva ou bombogênese.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a área de baixa pressão começou a se organizar entre o Paraguai, a Argentina e o Uruguai. A previsão indica uma queda acentuada na pressão central do sistema (de cerca de 967 hPa para 941 hPa em 24 horas), o que caracteriza o processo explosivo.
Como se forma um ciclone-bomba?
O principal “combustível” para a formação do ciclone-bomba é o choque direto entre duas massas de ar com temperaturas opostas: uma massa de ar quente e úmida vinda do norte e uma massa de ar frio vinda do sul.
Como o ar frio é mais pesado e denso, ele força o ar quente a subir rapidamente. O forte contraste de temperatura acelera as correntes de vento no topo da atmosfera e despenca a pressão na superfície. Quanto maior e mais rápida for essa queda de pressão, mais violentos se tornam os ventos ao redor do centro do sistema.
Quais são os principais riscos para o país?
Os maiores impactos estão associados às tempestades severas e à força das rajadas de vento:
- Ventos intensos: No oceano, as rajadas podem ultrapassar os 100 km/h. Na faixa litorânea e no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, os ventos devem superar os 60 km/h, trazendo riscos de queda de árvores, estragos em redes elétricas e destelhamentos.
- Tempestades e granizo: O contraste térmico favorece a formação de nuvens muito carregadas, com potencial para queda de granizo e alagamentos pontuais.
- Frente fria e queda de temperatura: Após a passagem do centro do ciclone, uma forte massa de ar frio avança pelo país, provocando uma queda acentuada nas temperaturas do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.
O fenômeno já aconteceu no Brasil antes?
Sim. O episódio mais marcante oficialmente registrado pelo INMET ocorreu entre 29 e 30 de junho de 2020, quando um ciclone-bomba varreu a Região Sul do Brasil com rajadas que chegaram a quase 120 km/h, causando severos estragos na infraestrutura local.






