Atrizes e influenciadora apostaram na cirurgia de pálpebras para suavizar o olhar. A blefaroplastia, que remove o excesso de pele nas pálpebras superiores ou inferiores, vai além da estética: é uma decisão que pode impactar profundamente a saúde visual e emocional. Celebridades como Luiza Brunet, Letícia Spiller e Ana Paula Siebert reacenderam o debate sobre quando o procedimento é indicado e como ele transforma a relação com o espelho e com a vida.
Com mais de 60 anos, Luiza Brunet recorreu à blefaroplastia para suavizar os sinais do tempo e manter sua expressão harmônica. Letícia Spiller, aos 50, também realizou a cirurgia com o objetivo de abrir o olhar e conquistar uma aparência mais descansada. Já Ana Paula Siebert destacou que buscava corrigir a flacidez nas pálpebras, obtendo um resultado sutil e natural. Esses casos jogam luz sobre um tema que mistura vaidade, saúde e qualidade de vida.
Segundo a oftalmologista Dra. Luiza Paulo Filho, a maior parte das pacientes que procura pela cirurgia o faz por questões estéticas, especialmente quando a aparência do olhar transmite uma tristeza constante. Ela explica que muitas pessoas têm a autoestima comprometida pelo excesso de pele sobre os olhos, que dá um ar abatido ou envelhecido. Ainda assim, há também pacientes que têm comprometimento da visão, pois a pele pode tampar parcial ou totalmente a pupila, interferindo na entrada de luz e, consequentemente, na formação das imagens pelo cérebro. Na prática, segundo a especialista, essas duas motivações costumam andar juntas. Quando o olhar entristecido impacta negativamente o bem-estar, pode provocar transtornos como depressão, ansiedade, dificuldades em relacionamentos e até queda no desempenho profissional e pessoal.
Ao contrário do que muitos imaginam, não existe uma idade ideal para realizar a blefaroplastia. Dra. Luiza conta que já operou pacientes com idades entre 26 e 83 anos. A média gira em torno dos 54 anos, mas o mais importante, segundo ela, não é a idade e sim o incômodo real que a pessoa sente ao se ver com o olhar cansado ou desarmonioso. Em pacientes mais jovens, por exemplo, o problema pode ser anatômico, como sobrancelhas muito baixas, enquanto em pacientes acima dos 45 anos, o envelhecimento da pele costuma ser o fator principal, como nos casos de Luiza Brunet e Letícia Spiller. Para a médica, o desejo dessas pacientes é alinhar o olhar com a leveza do espírito. Afinal, os olhos são a janela da alma.
Mas mesmo com bons resultados sendo possíveis, ela alerta: beleza é subjetiva. Por isso, é fundamental que os médicos tenham sensibilidade para compreender o perfil emocional de cada paciente. Segundo a especialista, muitos buscam preencher vazios internos com mudanças externas, o que aumenta o risco de frustração, mesmo que o resultado técnico seja excelente. Há ainda os casos de dismorfismo corporal, em que a pessoa tem uma preocupação exagerada com supostos defeitos inexistentes. Para ela, a blefaroplastia não transforma quem o paciente é, mas sim realça sua própria beleza, trazendo leveza de forma natural. E isso se evidencia em exemplos como o de Ana Paula Siebert, cujo resultado chamou atenção justamente por sua naturalidade e harmonia.
Sobre o pós-operatório, a médica explica que os cuidados são simples, mas importantes: uso de compressas frias, lubrificantes oculares, evitar o sol e, claro, não coçar os olhos. Em geral, os pacientes conseguem retomar boa parte das atividades diárias dentro de sete dias, mesmo que algum inchaço e pequenos hematomas possam persistir por um tempo.
A dúvida sobre quem deve realizar o procedimento, oftalmologistas especializados ou cirurgiões plásticos, é comum, e a Dra. Luiza Paulo Filho esclarece que ambos os profissionais estão aptos. O mais importante é que o paciente escolha um médico experiente e que realize a cirurgia com segurança. No seu caso, todos os procedimentos são realizados em ambiente hospitalar e com acompanhamento de um anestesista.
Um ponto de atenção crescente está na busca por blefaroplastia entre mulheres mais jovens, muitas vezes influenciadas pelas redes sociais e tendências de beleza. Para esses casos, a médica recomenda uma análise mais cuidadosa para entender se a cirurgia é realmente necessária ou se outras opções menos invasivas já poderiam atender ao desejo da paciente. “A decisão deve ser madura, e não motivada por uma tendência passageira ou expectativa irreal”, enfatiza.
A Dra. Luiza Paulo Filho – Foto divulgação
Por fim, a Dra. Luiza destaca que a blefaroplastia pode ter um impacto profundo na autoestima, indo muito além do que se vê no espelho. Ela compartilha que certa vez operou uma paciente que havia escolhido a data da cirurgia por ser a mesma do dia em que sofreu um abuso sexual grave, vinte anos antes. A mulher revelou, emocionada, que finalmente conseguiu ressignificar essa lembrança dolorosa através da realização de um sonho: a cirurgia devolveu a ela não só o olhar leve, mas também a liberdade de enxergar a vida de outra forma. “É nesses momentos que vejo o verdadeiro poder transformador do que fazemos”, conclui a médica.
A blefaroplastia é, portanto, mais do que um procedimento estético. É uma oportunidade de recomeço. Quando feita com consciência, acompanhamento médico adequado e expectativas alinhadas, ela pode marcar uma nova fase da vida, com mais luz no olhar e menos peso na alma.
Especializada em cirurgia de catarata e blefaroplastia, Dra. Luiza Paulo formou-se pela Faculdade Unigranrio, com pós-graduação em Oftalmologia pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia e pelo Instituto Benjamin Constant. Atualmente atua ao lado de seu pai, Dr. Rubem, em clínicas na Tijuca e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, oferecendo atendimento acolhedor e focado na saúde visual. Sua missão é resgatar a capacidade de ver e sentir a poesia da vida com os próprios olhos.