O Transtorno Obsessivo-Compulsivo, conhecido popularmente como TOC, vai muito além de uma simples mania ou preocupação exagerada com limpeza. Trata-se de uma condição psiquiátrica séria, que pode interferir significativamente no dia a dia, nos relacionamentos e na saúde mental de quem convive com ela. Para quem não sabe, o cantor Roberto Carlos é uma das milhões de pessoas no mundo que sofre com o diagnóstico.
Em entrevista à CARAS Brasil, a psiquiatra Maria Fernanda Caliani explicou como o transtorno se manifesta, seus impactos e a importância do diagnóstico e acompanhamento profissional. “O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma condição psiquiátrica caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões. As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos repetitivos, invasivos e indesejados, que causam sofrimento e ansiedade. Já as compulsões são comportamentos ou rituais mentais realizados com o objetivo de reduzir essa ansiedade ou prevenir alguma situação temida, mesmo que, na prática, não haja relação real entre o comportamento e o ‘perigo’ evitado”, detalha a especialista.
Casos como o de Roberto Carlos, que já falou sobre o assunto, ajudam a dar visibilidade ao transtorno. “No caso de figuras públicas como Roberto Carlos, que já falou abertamente sobre seu TOC, os sintomas mais evidentes envolvem a higienização excessiva e uma forte aversão à cor marrom, por exemplo. São manifestações que impactam diretamente a rotina, pois o transtorno pode interferir em atividades simples do cotidiano, nos relacionamentos e na qualidade de vida”, pontua Maria.
Sinais de alerta
Maria Fernanda destaca alguns comportamentos que podem acender o sinal vermelho e demandar atenção médica:
Sentir-se obrigado a realizar rituais, como lavar as mãos repetidamente ou verificar fechaduras diversas vezes;
Gastar mais de uma hora por dia com esses comportamentos;
Sentir angústia intensa ao ser impedido de executar o ritual;
Reconhecer que os atos são irracionais, mas não conseguir evitá-los;
Perceber prejuízos nas relações pessoais, vida profissional ou desempenho escolar.
Embora o TOC seja considerado um transtorno crônico, isso não significa que não haja tratamento. Conforme dito por Caliani, com o acompanhamento correto, os sintomas podem ser significativamente controlados. “O TOC é uma condição crônica, mas altamente tratável. Embora a ‘cura’ completa, no sentido de desaparecimento definitivo dos sintomas, nem sempre seja possível, muitas pessoas conseguem atingir um alto nível de controle, com melhora significativa na qualidade de vida”, afirma.
Como é feito o tratamento do TOC?
O tratamento do TOC costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): com foco na prevenção de resposta e reestruturação de pensamentos disfuncionais;
Medicação: principalmente os antidepressivos ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina), que ajudam a equilibrar os circuitos cerebrais afetados;
Outras abordagens: como neuromodulação ou suporte de equipe multiprofissional, dependendo da gravidade do quadro.
Por fim, a psiquiatra conclui: “É importante que o tratamento seja contínuo e ajustado às necessidades individuais”.
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