Recentemente, o ator, DJ e figurinista Theodoro Cochrane revelou o diagnóstico de ciclotimia. Em entrevista ao Encontro, o artista contou que sua vida mudou completamente após saber da doença: “Quando fui diagnosticado, a minha vida mudou. Comecei a usar o combo remédio mais terapia […] e minha vida melhorou, assim como a vida das pessoas ao meu redor”. Mas o que é esse diagnóstico?
O que é ciclotimia?
Em conversa com o Portal Marcia Piovesan, o médico especialista em saúde mental Dr. Iago Fernandes explicou que a doença é crônica e relativamente subdiagnosticada dentro do espectro dos transtornos do humor: “la se caracteriza por uma alternância persistente entre sintomas leves de depressão e sintomas leves de elevação do humor (hipomania), que ocorrem por um período prolongado, no mínimo dois anos em adultos, e um ano em crianças e adolescentes, sem que os episódios atinjam a gravidade ou duração suficiente para configurar um episódio depressivo maior ou um episódio hipomaníaco completo, como ocorre nos transtornos bipolares tipo I e II”.
Fernandes pontua que muitas vezes a doença é diagnosticada tardeamente por ser confundida com instabilidade emocional: “É fundamental compreender que a ciclotimia não é uma variação comum do humor, mas sim um quadro clínico que pode causar prejuízos significativos no funcionamento social, familiar, afetivo e profissional da pessoa afetada”.
Sintomas
O médico explica que a ciclotimia apresenta sintomas de dois polos: “Os sintomas da ciclotimia se organizam em dois polos principais: o polo hipomaníaco (com humor elevado ou irritável) e o polo depressivo (com humor rebaixado). Embora os episódios não atinjam a intensidade dos transtornos bipolares clássicos, eles são clinicamente significativos e interferem no cotidiano”.
Na fase hipomaníaca leve, o paciente se sente “melhor”: “A pessoa pode se sentir mais animada, sociável, produtiva e confiante. Pode haver aceleração do pensamento, fala mais rápida, impulsividade leve (como gastos excessivos ou decisões precipitadas), maior irritabilidade, redução da necessidade de sono e sensação de estar “mais afiada” intelectualmente. Embora muitas pessoas interpretem essa fase como ‘positiva’ ou ‘produtiva’, ela pode levar a comportamentos disfuncionais, quebra de rotinas saudáveis e prejuízos em longo prazo”.
Já na fase do polo depressivo, o paciente apresenta uma profunda tristeza: “Surgem períodos de humor deprimido, apatia, cansaço, desânimo, dificuldade de concentração, baixa autoestima e desinteresse por atividades anteriormente prazerosas. Nessa fase, a pessoa pode se retrair socialmente, apresentar mais insegurança nas decisões e até desenvolver pensamentos pessimistas. Embora geralmente não ocorram sintomas suficientemente graves para um diagnóstico de depressão maior, o sofrimento subjetivo e o impacto funcional são reais”.
Esse transtorno gera uma instabilidade emocional crônica, podendo gerar problemas mais graves no futuro: “Essa instabilidade prolongada também aumenta o risco de desenvolvimento de outros transtornos, como abuso de substâncias, transtornos de ansiedade e, eventualmente, o transtorno bipolar tipo I ou II, caso não haja intervenção precoce.”
Tratamento
Por fim, o psiquiatra explica que é necessário de um tratamento em conjunto para conviver com a doença: “O tratamento da ciclotimia envolve uma abordagem multifatorial, que combina intervenção medicamentosa, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. Por se tratar de um transtorno crônico, o tratamento tem como objetivo não apenas reduzir os sintomas, mas também oferecer ao paciente recursos para lidar com suas flutuações emocionais e desenvolver estratégias para manter sua estabilidade.”







