A repórter da Record, Grace Abdou, se manifestou publicamente na noite de terça-feira (1º), após ter sido empurrada ao vivo pelo colega de profissão Lucas Martins, da Band, durante cobertura de um caso de adolescentes desaparecidas em São Paulo. Em suas redes sociais, Grace publicou nos Stories a mensagem “Não passarão!”, acompanhada de agradecimento: “Obrigada a todos os amigos e colegas de profissão que fazem o coração sorrir. Está tudo bem!”. O registro da ocorrência policial foi realizado logo depois do episódio, conforme relatado pela própria jornalista.
As câmeras registraram o momento em que Lucas Martins, visivelmente irritado com a presença de Grace atrás da entrevistada, empurrou-a, gritando “dá licença”, e continuou a entrevista, sem justificar a ação.
Repercussão imediata
No estúdio da Record, o apresentador Reinaldo Gottino reagiu com indignação ao ver o vídeo. “O cara jogou a repórter longe… Nossa repórter está indo à delegacia depois dessa agressão covarde”, disse demonstrando apoio à colega. A emissora emitiu nota oficial condenando “veementemente a agressão” e informou ter autorizado o registro de boletim de ocorrência, com promessas de ações jurídicas cabíveis. A Band também se pronunciou, afirmando que repudia a ação, reconhece que houve retração e que Lucas Martins pediu desculpas ao vivo no programa Brasil Urgente, admitindo: “tive uma atitude inaceitável… cabem poucas explicações”.
O que dizem os profissionais
Expert em comunicação e ética jornalística, Dra. Paula Ribeiro, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avalia que o episódio “reflete a pressão por audiências e disputas por espaço entre emissoras, que por vezes resultam em comportamentos contra a ética profissional”. Para ela, “empurrões e agressões físicas são inaceitáveis e ferem o princípio básico de respeito entre colegas de profissão”.
A advogada trabalhista e de imprensa, Mariana Silva, sugere que Grace pode ter respaldo para uma ação judicial por agressão e quebra de direito de imagem, além de dano moral. Caso o caso seja levado ao Judiciário, “Lucas e a Band poderão arcar com indenizações, multa ou reversão da postura do profissional”, segundo ela.
Cenário e possíveis consequências
O incidente gerou grande repercussão nas redes sociais, com mensagens de solidariedade a Grace e críticas à atitude de Lucas. Publicações como “respeito é profissão” ganharam força, e o termo #NãoPassarão se tornou símbolo do posicionamento da repórter. A Associação Brasileira de Jornalismo investigará internamente e poderá propor medidas disciplinares — tanto éticas quanto legais.
Além disso, a postura profissional de Grace e o respaldo da Record podem gerar uma discussão mais ampla sobre violência no ambiente de trabalho, condutas agressivas durante entrevistas e a necessidade de regras claras entre emissoras em coberturas externas.
O desdobramento mais óbvio será o boletim de ocorrência e eventuais consequências judiciais e éticas, mas o episódio já levanta uma reflexão importante: a imprensa precisa rever o modelo competitivo que coloca repórter contra repórter — no lugar de unir forças pela ética e respeito mútuo.







