A nova versão de Vale Tudo, um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira, trouxe ao público atual uma releitura ousada, moderna e recheada de temas contemporâneos. Um dos destaques do remake, o ator Luis Lobianco — que interpreta Freitas — celebrou o crescimento do personagem na trama, mas também apontou um ponto de frustração: a falta de desenvolvimento do casal LGBTQIA+ formado por Laís (Lorena Lima) e Cecília (Maeve Jinkings).
“Eu tinha uma expectativa de que Laís e Cecília teriam uma história mais desenvolvida. São as personagens LGBT da trama. Na primeira versão, uma delas morre. Realmente imaginei que elas entrariam mais na trama, mas isso não aconteceu”, declarou Lobianco em entrevista ao jornal O Globo.
A crítica do ator ressoa em um momento em que o público exige cada vez mais representatividade significativa nas novelas. Embora o remake tenha atualizado diversos núcleos e temas, como a corrupção, desigualdade e mobilidade social, Lobianco sugere que há ainda espaço para avançar na forma como personagens LGBTQIA+ impactam diretamente a narrativa principal.
O romance entre Freitas e Eugênio pode sair do papel?
Na versão original de 1988, Freitas era um personagem secundário. No remake, ganhou mais camadas e humanidade. Um dos arcos potenciais é sua relação com Eugênio (Luis Salem), que por enquanto se apresenta como uma forte amizade. “Eles se conhecem num karaokê e passam a se encontrar. Falam dos patrões, do não reconhecimento, da vontade de uma vida melhor… A expectativa é que se envolvam, mas ainda não soube oficialmente”, afirmou o ator.
Caso o envolvimento se concretize, Lobianco espera que o romance tenha peso na história, e não apenas sirva como pano de fundo. “Se for para virar uma relação amorosa, que ela tenha algum efeito na trama. Não queria só que terminassem juntos, mas que isso tivesse relevância na história”.
Manuela Dias e a ousadia de reimaginar um clássico
O remake é assinado por Manuela Dias, autora de Amor de Mãe, e vem dividindo opiniões entre fãs nostálgicos e uma nova audiência. Lobianco, no entanto, é só elogios à proposta da autora: “Eu gosto da ousadia e da coragem da Manuela. As coisas mudaram muito. Estamos na era da inteligência artificial. Fazer novela, uma obra viva e aberta, é arriscado”.
Ele também destaca a “vibe pop” que permeia a nova versão: “Tem uma coisa pop nesta novela que a direção, a equipe, a Manuela e o elenco trouxeram. Isso tem um valor muito grande. Não se pode falar que não valeu, que não deu certo. Eu não sou saudosista. Reconheço o valor do que foi realizado. Tenho muito respeito, mas gosto do novo”.
Freitas pode ser o novo assassino de Odete Roitman?
A morte de Odete Roitman, um dos momentos mais icônicos da TV brasileira, continua rendendo teorias. Questionado sobre a possibilidade de seu personagem estar envolvido na nova versão do crime, Lobianco não descarta — mas tem preferência: “Se acontecer isso, gostaria que ele pagasse pelo crime. Caso não, desejo que, no final, possa aproveitar um pouco a vida. Ir para o interior, abrir um karaokê… Vai ganhar menos dinheiro, mas pode descobrir que, antes do trabalho, existe uma pessoa que merece ser feliz”.
Freitas: de coadjuvante a peça-chave no remake
A evolução do personagem tem sido um dos pontos altos da atuação de Lobianco, que vem sendo elogiado por público e crítica. “Me concentrei muito para fazer este papel. Não queria desperdiçar uma vírgula, porque ele não é protagonista, mas está do lado do protagonista. Sinto que foi 100% de aproveitamento”.
O ator mostra-se ciente da responsabilidade de ocupar um espaço relevante dentro de uma obra de peso histórico. Com equilíbrio entre homenagem e renovação, Freitas representa um elo entre a tradição da novela brasileira e sua reinvenção para o presente.
Leia também: Odete Roitman sofre atentado em ‘Vale Tudo’ e remake surpreende com reviravolta







