O cinema e o audiovisual nacional amanheceram mais silenciosos nesta quinta-feira com a morte de Joyce Prado, cineasta, diretora, roteirista e uma das voz mais influentes da cultura negra no Brasil. Ela tinha 38 anos.
Joyce, que também foi fundadora da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), dedicou sua carreira a contar histórias que ampliam a presença e a narrativa do povo negro nas telas. Sua partida foi confirmada nas redes sociais da APAN e por centros culturais ligados ao cinema nacional, que prestaram homenagens emocionadas à artista.
Ao longo de mais de uma década de trabalho, Joyce conquistou reconhecimento por projetos que misturavam arte, ancestralidade e reflexão social. O documentário “Chico Rei Entre Nós” (2020), que revisita a vida de um rei congolês escravizado e sua luta pela liberdade, foi um dos seus trabalhos mais celebrados, premiado em festivais importantes.
Além dele, Joyce dirigiu conteúdos como a série documental “The Beat Diaspora”, que explora a conexão entre ritmos africanos e músicas eletrônicas contemporâneas, e esteve à frente de produções que dialogam com identidade, resistência e cultura afro-brasileira.
Ela também foi cofundadora da Oxalá Produções, produtora focada em ampliar vozes e narrativas historicamente sub-representadas. Sua influência ultrapassou o cinema: Joyce ajudou a moldar políticas culturais e serviu como inspiração para artistas, profissionais do audiovisual e movimentos por inclusão e justiça racial no setor.
A causa da morte ainda não foi divulgada. Familiares, colegas e instituições ligadas à cultura lamentaram a perda, lembrando Joyce como uma força criativa e humana que transformou o audiovisual brasileiro — e cujo legado deve continuar a inspirar gerações.
A despedida está marcada para sexta-feira em São Paulo, num momento aberto para homenagens à trajetória de uma das realizadoras mais influentes de sua geração.







